Mayones Setius PRO 6: Quanto Custa o Serviço de um Luthier em Lisboa? | Diário de Pesquisa

Hoje venho contar pra vocês a história de como chegou até mim essa Mayones Setius Pro 6 e como muitas pessoas podem tentar se aproveitar de outras pessoas ou desvalorizar produtos sem prévio conhecimento ou partindo de um pressuposto preguiçoso.

O André me conheceu a alguns meses atrás, ele é um grande baterista e baixista, pegou essa Mayones em um bom negócio (acho que foi uma troca ou algo assim) e decidiu arriscar no mundo guitarrístico.

Mas, a praia dele é a bateria e baixo, o André tentou estudar um pouco de guitarra e até se aprofundou bem no assunto… viu que a guitarra não era a dele e decidiu colocar a máquina à venda nas plataformas online.

Foi aí que começou o show de horror do mercado de usados. E eu sei como esse mercado pode ser complicado!

Quantas e tantas vezes eu já não me deparei com instrumentos musicais com preços mais elevados do que os mesmos novos na Thoman… e ainda sem a vantagem dos 2 anos de garantia da loja alemã! M

Enfim, vamos ao que importa.

O pessoal que aparecia para ver a guitarra começava a botar defeito em tudo. Mandavam mensagens do tipo: “Pô, essa guitarra tá detonada, vou ter que gastar quase 700€ num luthier para ajeitar isso aqui”, tentando fazer o preço cair no chão.

O André achou a história esquisita demais. Setecentos euros?

Detalhe, pra chegar nesse valor num reparo, só se a gente refizesse alguma parte da guitarra do zero, ou trocasse a escala, os captadores, a ponte… sei lá, de banhasse o hardware a ouro? Quem dera se luthier desse tanto lucro assim!

Foi então que ele resolveu me procurar no ateliê, trouxe de Cascais até aqui em Paço de Arcos, para uma avaliação gratuita… afinal, pra gente ver se a guitarra era realmente um caso perdido.

Peguei o bicho na mão para avaliar. Disse pra ele na hora: “André, esquece, mano! Pra chegar nesses 700€ só se eu inventar trabalho. A gente resolve essa guitarra inteira, deixa ela voando baixo, e você não gasta nem metade disso.”

Serviço fechado! Combinamos uma média final que poderia ficar entre 200€ e 300€ dependendo das peças que eu precisasse ou não substituir (vou explicar melhor no final como funciona minha forma de precificar).

Etiqueta original

E a investigação começou.

Olhando o número de série gravado atrás do headstock “031109198” a leitura foi direta. Trata-se de uma Mayones Setius PRO 6 fabricada em novembro de 2009 na fábrica de Gdańsk, na Polónia.

Serial

O modelo “PRO” entrega a configuração com Floyd Rose Schaller de fábrica, mas quando olhei para os captadores, vi que os Seymour Duncan de série já não estavam lá. O dono anterior tinha feito um upgrade de respeito.

Na ponte, um DiMarzio Crunch Lab (DP228 BK), com aquela lâmina metálica característica numa das bobinas e polos Allen na outra.

No braço, o par perfeito dele: um DiMarzio LiquiFire (DP227).

O kit assinatura do John Petrucci.

Detalhe kit Dimarzio signature John Petrucci

Na ficha de SETUP REPORT que sempre forneço na entrega do instrumento, deixei registrado: Instrument checked in equipped with the DiMarzio John Petrucci Signature (Crunch Lab DP228 / LiquiFire DP227) pickup set. (Eu li tanto em inglês pra fazer as pesquisas desse instrumento, que acabei preenchendo a ficha toda em inglês sem querer, então no futuro, se achar uma ficha em inglês, espanhol, italiano, alemão ou português preenchidas por mim, saibam que isso é indiferente… as vezes esqueço de virar a chavinha do idioma. O castigo de ser poliglota? Kkkk).

Setup report MIL-261501

Mas voltando ao que interessa…

Quando fui examinar a escala, veio a primeira surpresa. A guitarra já tinha passado por uma troca de trastes para inox no passado, só que o trabalho ficou meio inacabado. Os trastes estavam instalados perfeitamente, mas faltava o ajuste finais de retífica/usinagem/nivelamento dos trastes, além de carecer de um acabamento legal de coroamento, acabamento das pontas que pareciam quinas vivas e polimento final. Estava arranhando a mão. Definitivamente não tinha a precisão necessária para uma ação de cordas confortavelmente baixa.

Detalhe headstock e escala

Passei os gabaritos para conferir o raio. De fábrica, as Setius saem com raio de 16″. Mas depois de analisar o trabalho feito na madeira e no inox nessa troca antiga, a escala ficou cravada em 14″. O que provavelmente me renderia um trabalho pra ajustar o nut e a ponte que supostamente deveriam estar ainda em 16”.

Retifiquei, fiz todos os ajustes de nivelamento e usinagem dos trastes. Depois vim com o meu coroador de trastes (caso queira comprar ele, está disponível no Site da Ao Mestre Luthier) e fiz o acabamento dos trastes em inox até ficarem brilhando que nem espelhos.

Frets shine

Aliás, muita gente vê o traste brilhando feito espelho e acha que esse polimento é só estético, pra deixar a guitarra bonita em foto. E assim, bonito fica mesmo, não tem como negar! Mas a função real disso no dia a dia é outra completamente diferente.

Quando o traste passa por uma retífica ou vai desgastando com o tempo de uso, o metal fica cheio de micro-arranhões. São imperfeições, as vezes quase invisíveis a olho nu, que a gente sente pela corda na hora de tocar.

Sabe aquela sensação incômoda de estar “moendo areia” quando você vai dar um bend ou fazer um vibrato? Aquele arranhado chato na pegada? É a corda enganchando/agarrando/aderindo exatamente nessas micro-ranhuras do metal.

Quando a gente faz o polimento correto, a gente remove todas essas imperfeições até a superfície ficar lisa feito vidro. A aderência cai pra zero. A corda desliza sem atrito nenhum, o bend flui macio, sem enroscar nada, e a sensação ao tocar muda da água pro vinho. De quebra, como não tem mais aquele atrito raspando, até suas cordas duram mais.

Ponte antes

Voltando ao serviço, como eu previa… o rolê do raio voltou pra me assombrar! O pulo do gato aqui era: se a escala está em 14″, os carrinhos (saddles) da ponte Floyd Rose Schaller não podem continuar com o raio padrão de fábrica (lembrando que geralmente Mayones vem com 12″ ou 16″).

Ponte depois

Se eu não alinhasse e ajustasse o raio dos carrinhos com o raio da escala, por meio das configs ou usando calços de latão (under-saddle shims), a corda solta ou o bend no meio do braço provavelmente vão trastejar terrivelmente assim que você tentar baixar a ação.

Graças a Deus não precisei de Shims nem de calços. Consegui fazer todos os ajustes direto na ponte.

Ajustei a curvatura dos carrinhos para casar perfeitamente com os 14″ do braço. E fiz o mesmo no nut (só que mais lá na frente).

O objetivo era deixar a tocabilidade um absurdo de macia, aproveitando que os trastes em inox agora permitiam uma precisão micrométrica.

Normalmente meu setup constitui em passos básicos que sempre gosto de seguir. E meu sistema de setup/regulagem seguem algumas adaptações de gosto pessoal inspirado em como meus professores recomendavam na faculdade.

Detalhe frente

Começo afinando o instrumento… escolho sempre o tom e a corda com base no que o cliente me fornece. Isso sempre é decidido sempre durante a avaliação. Conversamos sobre tudo e vemos a melhor opção sempre. Nesse caso optamos por 0.11 em standard E.

Em seguida vou pro ajuste do alívio do tensor, também chamado de RELIEF.

Ajustei o tensor para deixar o relief do braço em exatos 0,13mm. Tudo medido com ferramentas digitais e analógicas de alta precisão no 8º traste com capotraste no 1º traste e o último teste pressionados. Normalmente gosto de medir duas vezes. O digital é mais fácil, mas pode haver falhas… o analógico é mais difícil, mas difícil de errar. Então um complementa o outro, com dois checks, é bem difícil errar.

Detalhe costas

Com o braço estabilizado e o raio da ponte alinhado, consegui buscar uma altura de cordas no 12º traste que pouca guitarra aguenta sem trastejar:

  • 1ª Corda (e): 0,50mm
  • 2ª Corda (B): 0,60mm
  • 3ª Corda (G): 0,70mm
  • 4ª Corda (D): 0,80mm
  • 5ª Corda (A): 0,90mm
  • 6ª Corda (E): 1,00mm

É meio difícil explicar de forma simples de onde eu tiro esses valores, números e cálculos. Então vou me ater apenas ao básico (podem pedir no meu Instagram, caso queiram mais explicações sobre esses processos).

A progressão entre as cordas, nesse caso, precisou seguir passos de 0,10mm para acompanhar a física que envelopa toda vibração nesse arco de 14″.

É um processo chato e pode levar horas quando estamos com uma Floyd Rose ou tremolo muito sensível. Tenho que afinar, fazer os ajustes de relief, depois ajustes da altura, ajustes das molas, ajuste de relief again, altura das cordas de novo, etc… basicamente é um ciclo vicioso…

Detalhe cavidade do heel

E detalhe. Sempre gostei de fazer esses ajustes com a guitarra no meu colo. Eu normalmente usava uma Erlewine Neck Jig Workstation da Stewmac. Mas acabo me sentindo mais confortável em fazer o setup na mão. Tá ali se algum cliente exigir, mas no colo é muito mais feeling envolvido! Eu sinto que entrego um melhor serviço quando sinto a pegada do instrumento no colo. Sem contar que a aplicação da gravidade nos comportamentos do hardware me parece mais real.

Já no 1º traste (locking nut), a altura da corda solta seguiu a mesma lógica de progressão linear exata:

  • 1ª Corda (e): 0,30mm
  • 2ª Corda (B): 0,33mm
  • 3ª Corda (G): 0,36mm
  • 4ª Corda (D): 0,39mm
  • 5ª Corda (A): 0,42mm
  • 6ª Corda (E): 0,45mm.

Normalmente o Nut eu deixo sempre por último. Dou um check final em tudo… aí sim finalizo as oitavas e ajustes de entonação.

Esse normal é o fluxo de trabalho que sempre fez sentido pra mim com base em meus estudos nesses últimos 19 anos como luthier.

Parafusos limpos e polidos

Acabei esquecendo de comentar. Mas poxa… Ponte flutuante de alto nível com molas velhas é pedir para ter ruído de mola vazando nos captadores. Além de mola rangendo e soltando ferrugem pra todo lado. As molas originais já estavam cansadas e sem pressão.

Substituí por um jogo de molas novas da Gotoh. Para garantir silêncio absoluto na cavidade traseira, instalei o kit de abafadores transparentes da Ernie Ball (aquele conjunto com 3 peças) e fiz um ajuste sob medida com uma espuma densa branca no fundo do bloco. A ponte ficou firme, retornando ao zero perfeitamente e sem qualquer ressonância fantasma.

Na parte elétrica, os potenciômetros originais estavam falhando e raspando. Refiz a fiação do zero com fios novos e reorganizei o trajeto do circuito. Instalei termotubos em todos os fios. Ficou resistente e bem organizado. Como eu sempre digo, elétrica boa está na boa soldagem dos componentes, tem que estar organizada, limpa, bem feita e principalmente funcional… se tiver bonita, é um adicional!

Elétrica antes

Instalei um potenciômetro CTS no Tone e um Fleor Push-Pull no Volume. A fiação de 4 condutores dos DiMarzio foi soldada no padrão pra split coil no push-pull.

Para fechar o escudo contra ruídos RFI/EMI, passei uma demão de tinta condutiva de alta densidade na cavidade pra retocar a tinta antiga que já havia nas cavidades

Elétrica depois

Também fiz um processo de limpeza geral, lubrificação das ferragens, retoque com graxa pra melhorar a durabilidade de alguns itens internos não expostos e banho ultra-sônico… não necessariamente nessa ordem, e nem em tudo pois as vezes só faço no que foi realmente preciso.

Pra finalizar de vez, o ajuste da altura dos DiMarzio pressionando a corda no 24º traste:

  • Crunch Lab (Ponte): 2,0 mm no grave / 1,5 mm no agudo.
  • LiquiFire (Braço): 2,5 mm no grave / 2,0 mm no agudo.

No final o André veio buscar 7 dias depois… levou a guitarra pronta, regulada milímetro por milímetro, com trastes de inox finalizados e brilhantes, eletrônica nova e captação DiMarzio de ponta. O tal “conserto de 700€” que os espertões do mercado de usados inventaram para desvalorizar a guitarra dele foi resolvido com 200 e pousos euros de trabalho sério.

Banheira ultra-sônica

Sobre minha forma de precificar? normalmente tenho meu catálogo vinculado ao meta (Facebook, WhatsApp e Instagram) que pode ser acessado no botão verde que fica no final dessa Página Aqui.

Mas no geral o setup premium ficou em 150€, que incluiu tudo que citei nesse artigo e um pouco mais que não convém ao caso citar. Pois são coisas tão simples (como limpeza, banheira ultra-sônica, alguns detalhes de revisão elétrica, check de roldanas, etc…) que já entrego quase como brinde…

Gastamos mais um pouco nos itens novos (espuma, abafador de molas, molas Gotoh, potenciômetros, fiação nova, jack, etc)…

Sem contar o pequenos restauros pontuais do case, higienização, hidratação da correia da guitarra e do plástico do case, as cordas Elixir, etc.

Detalhe case

Total 250€. um valor razoável e justo para uma guitarra de quase 2.500€, não acham?

Ou acham que os 700€ era o preço ideal? (Brincadeira kkk).

Enfim, quem sabe agora ele até desiste de vender e resolve trocar as baquetas pelas seis cordas?

No final, quem comprar essa guitarra, vai estar com uma máquina nas mãos! Garanto que não vão precisar de um luthier em menos de 5 ou 10 anos (salvo em acidentes, mal uso, abusos excessivo de funcionalidades, uso extremo e/ou falta de cuidados).

Meu nome é Kris luthier, e esse foi o diário dessa Mayones polonesa linda que passou pela bancada e um pouco da história do André. Espero que tenham gostado.

Referências, obras que estudei, ideias para aprofundamentos nos assuntos que cito e obras de consulta que podem ajudar com os temas abordados desse serviço:

  • Mayones Guitars & Basses — Setius Series Technical Specifications & Factory Manual (2008-2012).
  • Mayones Guitars & Basses — User’s Manual.
  • DiMarzio Pickup Wiring & Installation Guides (DP228 Crunch Lab / DP227 LiquiFire).
  • Hisock, Dan. Fret Work Step by Step. Stewart-MacDonald Publishing.
  • Erlewine, Dan. How to Make Your Electric Guitar Play Great! Stewart-MacDonald Publishing.
  • Erlewine, Dan. Guitar Player Repair Guide. Backbeat Books.
  • Drozd, Jerzy. The Ultimate Guide to Guitar and Bass Setup.
  • Carruthers, John. Guitar Setup & Maintenance. Hal Leonard.
  • Kamimoto, Hideo. Complete Guitar Repair. Oak Publications.
  • Stewart-MacDonald — Erlewine Neck Jig Instruction Manual & Setup Guidelines.
  • UFPR, grade curricular — Curso de Bacharelado em Luthieria.

Abaixo segue a transcrição do manual para guitarras e baixos da Mayones em português, traduzidas por Kris Luthier. Estão organizadas secção a secção e acompanhadas pelas legendas dos esquemas e diagramas que podem ser consultados nas imagens da galeria acima:

MAYONES GUITARS & BASSES (desde 1982)

Manual do Utilizador de Guitarra Elétrica

CARO GUITARRISTA!

Obrigado por teres adquirido uma guitarra elétrica da nossa marca. Estamos certos de que fizeste uma excelente escolha e de que este instrumento te vai ajudar a desenvolver o teu talento musical.

Para te ajudar a tirar o melhor partido dele, pedimos que leias e sigas estas regras básicas de utilização e manutenção.

Manutenção e Operação

  1. Usa apenas cordas de boa qualidade, de preferência de um jogo completo. As cordas para guitarra acústica ou clássica não servem para guitarra elétrica.
  2. A forma como enrolas as cordas nos carrilhões (tarraxas) é fundamental para manter a afinação. Consulta o capítulo onde explicamos este passo.
  3. Para funcionar bem, a ponte (especialmente se for flutuante/tremolo) tem de estar devidamente equilibrada e ajustada. É ela que garante a estabilidade da afinação e o conforto ao tocar.
  4. O ajuste da curvatura do braço (neck relief) e da altura das cordas (ação) é vital para um toque confortável. Deves fazer este ajuste sempre que mudares o calibre das cordas.
  5. Para que as notas soem afinadas ao longo de todo o braço, a entonação (oitava) precisa de estar bem regulada.
  6. Recomendamos a troca de cordas após 30 horas de uso. A partir daí, começam a perder o som brilhante e deixam de segurar bem a afinação.
  7. Limpa o instrumento — e especialmente as cordas — no final de cada utilização. Encontras produtos adequados nas lojas de música.
  8. Para transportar a guitarra, usa sempre um saco acolchoado (gig bag) ou um estojo rígido (hardshell case) para a proteger de pancadas e variações de temperatura.
  9. A guitarra é um instrumento delicado. O acabamento pode riscar ou lascar facilmente. Trata dela com cuidado e usa-a para o fim a que se destina.
  10. Protege o instrumento de temperaturas extremas (muito frio ou muito calor) e da humidade.
  11. Não deixes a guitarra exposta ao sol direto durante muito tempo, nem perto de aquecedores ou dentro do carro num dia quente.
  12. Evita choques térmicos. No inverno, se a trouxeres da rua para uma divisão aquecida, deixa-a ficar dentro do estojo durante algumas horas até atingir a temperatura ambiente.
  13. Limpa as cordas e a superfície envernizada com um pano de algodão seco e macio. Para uma limpeza mais profunda, usa produtos próprios (polish e limpador de cordas). Instrumentos com acabamento natural em cera ou óleo devem ser tratados com produtos específicos.
  14. Limpa todas as peças regularmente. Usa um pouco de lubrificante de rolamentos no encaixe do alavanca do tremolo e no ponto de contacto da lâmina do tremolo com os pernos (stud bolts).

O desrespeito por estas regras pode anular a garantia.

PARTES PRINCIPAIS DA GUITARRA

  1. Headstock (Mão / Cabeça)
  2. Logo (Logótipo)
  3. Tuning mechanics (Carrilhões / Cravelhas)
  4. Tuning key post (Poste do carrilhão)
  5. Truss rod adjustment screw plate (Tampa de acesso ao tensor)
  6. Nut / locking nut (Pestana / Pestana com bloqueio)
  7. Strings (Cordas)
  8. Frets (Trastos / Trastes)
  9. Fingerboard (Escala)
  10. Neck joint (Junção do braço ao corpo)
  11. Neck joint screws (Parafusos de fixação do braço)
  12. Pickup mounting ring (Moldura do captador)
  13. Pickup selector switch (Seletor de captadores)
  14. Volume knob (Botão de volume)
  15. Tone control knob / piezo blender (Botão de tom / misturador piezo)
  16. Output jack (Ficha de saída / Jack)
  17. Front strap button (Pino da correia dianteiro)
  18. Neck pickup (Captador do braço – Humbucker)
  19. Pickup height adjustment screws (Parafusos de regulação de altura do captador)
  20. Bridge pickup (Captador da ponte – Humbucker)
  21. Bridge height adjustment screws (Parafusos de regulação de altura da ponte)
  22. Bridge saddles (Selas / Carrinhos da ponte)
  23. String ferrules (Passadores de cordas)
  24. Rear strap button (Pino da correia traseiro)
  25. Electronic compartment plate (Tampa da eletrónica)
  26. String ferrules – back (Passadores de cordas – parte traseira)
  27. Battery compartment (Compartimento da pilha)

ENROLAR AS CORDAS NOS CARRILHÕES

Conforme o tipo de ponte, passa a esfera da corda na ranhura da ponte, pelo bloco do tremolo, pelo corpo ou corta a esfera para montar na sela (sistemas Floyd Rose). Em seguida, passa a corda pelo orifício do poste do carrilhão, estica e faz uma dobra a 90° a cerca de 3 a 5 cm do carrilhão.

Posiciona essa dobra no bordo do furo do poste e aponta a extremidade sobra para baixo (se fores usar carrilhões em linha 6; se for sistema 3+3, aponta para o centro da cabeça). Depois, certifica-te de que a corda fica encostada ao limite do rasgo, passa a ponta solta por baixo da corda que vai para a pestana e puxa bem para cima e para trás (fig. 1). Enrola a corda no carrilhão de forma a dar voltas e empurrar a laçada contra a base do poste (fig. 2). (Aplica este procedimento nas cordas finas/não entrançadas: E1, B2 e G3).

Nas cordas entrançadas (D4, A5 e E6), não precisas de fazer laçada. A primeira volta no carrilhão passa por cima da parte dobrada e as voltas seguintes passam por baixo (fig. 3). As voltas devem ficar bem juntas sem se cruzarem (fig. 4).

Depois de afinar, corta o excesso de corda a cerca de 0,5 cm do carrilhão e dobra a ponta para a frente da cabeça (fig. 5).

Carrilhões de Bloqueio (Locking Tuners)

Se o teu instrumento tiver carrilhões com bloqueio, o processo é igual para todas as cordas: não dás voltas ao carrilhão. Passas a corda pela ponte, metes no poste do carrilhão, puxas bem (fig. 6) e apertas o parafuso de bloqueio na base do carrilhão. Depois é só afinar. Deve dar no máximo uma ou duas voltas.

Em muitos carrilhões, podes afinar a dureza ao rodar a chave ajustando o parafuso no topo da própria chave (fig. 7).

AJUSTAR A PONTE

Pontes Fixas

A altura de cada sela é regulada por dois parafusos nas laterais (fig. 8). As selas devem acompanhar a curvatura da escala — a diferença de altura entre as selas centrais e as externas ronda os 1 mm. Em pontes antigas (estilo Tele), cada sela suporta duas cordas, regulando-se as duas em simultâneo.

A altura da corda no 12.º trasto depende do gosto de cada um, mas a referência padrão é:

  • 2,0 mm para a corda E1 (Mi agudo)
  • 2,5 mm para a corda E6 (Mi grave)

Pontes Tune-O-Matic

O ajuste de altura é feito globalmente para todas as cordas, rodando os dois parafusos/pivôs de suporte da ponte (fig. 10). No sentido dos ponteiros do relógio baixa a ponte; no sentido oposto sobe. A curvatura das cordas em relação à escala é dada pelo próprio desenho da ponte ou por alturas diferentes das selas.

Pontes Tremolo

Nos tremolos clássicos tipo vintage (6 parafusos), regulas a altura sela a sela (fig. 11). Nas pontes mais modernas apoiadas em dois pernos/pivôs (incluindo Floyd Rose), regulas a altura geral subindo ou baixando os dois pivôs principais. A curvatura do raio da escala é mantida pela própria base da ponte ou por ajuste individual das selas (fig. 12).

PONTE FLOYD ROSE

Sendo uma ponte flutuante, permite alterar o tom das notas (subindo ou baixando). A ponte só funciona bem se estiver devidamente nivelada.

A base da ponte deve ficar perfeitamente paralela ao corpo da guitarra (fig. 13). Consegues este equilíbrio ajustando os parafusos das molas no compartimento traseiro (12) para equilibrar a tensão das cordas com a força das molas:

  • Cordas mais grossas exigem mais tensão nas molas (apertar os parafusos 12).
  • Cordas mais finas exigem menos tensão (desapertar os parafusos 12).

Ao mudar de cordas: O ideal é manter o mesmo calibre. Troca uma corda de cada vez (retira a E6 antiga, coloca a nova e afina logo de seguida) para não desbalancear o sistema.

Pestana de Bloqueio (Locking Nut)

A maioria das guitarras com Floyd Rose traz pestana de bloqueio (fig. 14).

  1. Desaperta os bloqueios com a chave Allen (1).
  2. Retira as peças de bloqueio (2) para trocar cordas, afinar ou regular o braço/ação.
  3. Volta a montar os bloqueios (3).
  4. Aperta os parafusos dos bloqueios (4) no final de todas as afinações. A afinação fina posterior é feita nos microafinadores da ponte (fig. 13 – 8).

CURVATURA DO BRAÇO (NECK RELIEF)

A curvatura do braço é regulada pelo tensor (truss rod). O acesso fica junto à pestana ou no calcanhar do braço (junto ao corpo).

Como verificar: Pressiona a corda no 1.º e no último trasto ao mesmo tempo. No 8.º trasto, o espaço entre a corda e o trasto deve ser de aproximadamente 0,5 mm.

  • Braço muito côncavo (underbow – corda muito alta no meio): aperta o parafuso do tensor (sentido dos ponteiros do relógio).
  • Braço convexo (backbow – corda encostada aos trastes): desaperta o parafuso do tensor (fig. 15).

Nota: Faz ajustes muito suaves (no máximo 1/8 de volta de cada vez). Nunca deixes o parafuso do tensor totalmente solto para evitar ruídos de vibração.

ESTABILIZAR A AFINAÇÃO E AJUSTAR A ENTONAÇÃO

Estabilizar a afinação

Sempre que colocares uma corda nova e a afinares, puxa-a com os dedos na zona do 12.º trasto cerca de 1 cm para fora da escala durante 10 segundos (fig. 16). Volta a afinar e repete o processo até a afinação estabilizar.

Ajustar a entonação (oitavas)

Serve para garantir que a guitarra soa afinada em todas as casas do braço.

  1. Afina a corda solta.
  2. Toca a nota no 12.º trasto.
  3. Se a nota no 12.º trasto estiver baixa (bemol) em relação à oitava, move a sela para a frente (em direção ao braço, encurtando o comprimento da corda).
  4. Se a nota no 12.º trasto estiver alta (sustenido), move a sela para trás (em direção à ponte, aumentando o comprimento da corda) (fig. 17).

Volta a afinar a corda solta a cada ajuste até a nota no 12.º trasto bater certo com a oitava exata.

ALTURA DOS CAPTADORES

A distância entre os captadores e as cordas influencia bastante o som. Mede-se pressionando a corda no último trasto e medindo o espaço até ao captador:

  • Captador da ponte: 2,0 mm na corda E1 | 2,5 mm na corda E6
  • Captador do braço: 2,5 mm na corda E1 | 3,0 mm na corda E6

Ajusta a altura através dos parafusos nas laterais do captador (fig. 18). Se o captador tiver polos ajustáveis, podes regular parafuso a parafuso para equilibrar o volume entre cordas.

SISTEMA PIEZO

Algumas guitarras incluem selas Graph Tech com captadores piezoelétricos integrados, alimentados por uma pilha de 9V.

O pré-amplificador fica dentro da cavidade de controlo e permite ajustar o ganho do piezo e a equalização (EQ) através de trimpots na placa interna (fig. 19, 20, 21).

Geralmente, o controlo piezo é ativado por um potenciómetro push-pull de volume, utilizando-se o botão seguinte como misturador (Blender) entre o som magnético e piezo (fig. 22).

Cuidado: O cabo ligado na ficha de saída (jack) liga o circuito ativo. Desliga sempre o cabo quando não estiveres a tocar para não esgotar a pilha.

TROCA DE PILHA, LIMPEZA E CUIDADOS

Troca de pilha

Sistemas ativos ou piezos usam pilhas de 9V alojadas no compartimento traseiro (fig. 23). A tampa abre sem ferramentas. Certifica-te de que colocas a pilha na posição correta da polaridade.

Limpeza

  • Limpa o suor das cordas e do braço com um pano seco e macio após cada utilização.
  • Não uses álcool, gasolina, solventes ou detergentes agressivos.
  • Escalas em Pau-Santo / Ébano: Quando a madeira parecer seca ou esbranquiçada, limpa-a bem e aplica óleo de limão (Lemon Oil), deixando absorver e limpando o excesso com um pano seco.

DADOS DO FABRICANTE E CONTACTOS

Gitary Mayones s.c. ul. Narwicka 10 80-557 Gdańsk, Polónia

  • Tel.: +48 58 343 07 83
  • Fax: +48 58 343 04 35
  • E-mail: info@mayones.com
  • Website: www.mayones.com

Conformidade RoHS Compliant © Gitary Mayones 2011

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